Reforma Tributária e Novo Cenário Econômico
Com a implementação da Reforma Tributária, marcada pela substituição de tributos pelo IBS e pela CBS, a indústria automotiva brasileira enfrenta uma transformação profunda. O foco agora está na criação do Imposto Seletivo (IS) e sua relação com o programa de estímulo à inovação, o Mover, que juntos influenciam diretamente preços, margens e estratégias de produção.
O Imposto Seletivo e suas Implicações
Estabelecido para taxar bens considerados prejudiciais ao meio ambiente ou à saúde, o IS substituirá o atual IPI Verde a partir de 2027, com previsão de transição total até 2033. A alíquota, que atualmente negocia entre 12% e 18%, tende a se aproximar de 14%, variando conforme atributos técnicos, ambientais e a origem do veículo (nacional ou importado).
Impactos na Indústria Automotiva
Essa nova carga tributária permitirá que veículos similares apresentem custos diferentes, dependendo do motor, materiais utilizados, peso ou combustível. Como consequência, o setor deve realizar uma revisão completa dos modelos fabricados ou importados, analisando sua vulnerabilidade ao novo imposto e ajustando estratégias de preço e produção.
Atributos Técnicos e a Competitividade
Decisões sobre motorização, peso, consumo e emissão ambiental passam a ser estratégicas, não apenas técnicas. As fabricantes precisarão envolver áreas diversas - de engenharia a finanças - para garantir que seus veículos sejam economicamente viáveis, além de tecnicamente adequados.
Incentivos do Programa Mover
Enquanto o IS aumenta os custos de veículos com maior impacto ambiental, o Mover atua como contrapeso ao oferecer créditos financeiros elevados, IPI diferenciado e redução de impostos de importação para autopeças estratégicas. Este programa exige ampla gestão de custos, documentação e alinhamento interno para garantir os benefícios.
Desafios e Riscos para Empresas
Uma abordagem integrada entre equipes de diferentes setores da empresa é essencial. Decisões tardias, especialmente após a regulamentação das alíquotas, podem prejudicar a competitividade e limitar ajustes estratégicos. Além disso, há discussões jurídicas em andamento que podem questionar a constitucionalidade do Imposto Seletivo, exigindo das empresas preparo documental e legal para eventuais contestações futuras.
Com a comparação de custos entre produzir localmente ou importar e o impacto dos incentivos do Mover, empresas internacionais já avaliam novas localidades para seus projetos, dependendo das cargas tributárias e benefícios disponíveis, próximas de uma mudança de paradigma no setor.