Após o agravamento da crise de abastecimento de semicondutores, o setor automotivo brasileiro se encontra à beira de uma possível paralisação. Montadoras podem ter suas linhas de produção interrompidas em até duas semanas, caso não sejam adotadas providências urgentes.
Em reunião de emergência realizada na terça-feira, 28, representantes do Governo Federal, incluindo o vice-presidente e ministro da indústria Geraldo Alckmin, confirmaram o início de negociações com a China para reverter o embargo às exportações de semicondutores. Segundo fontes oficiais, o objetivo é que o Brasil seja autorizado a importar chips da chinesa Nexperia, responsável por 40% do mercado global de semicondutores.
A restrição por parte da China veio como retaliação ao controle estrangeiro sobre a Nexperia, acusado de transferir tecnologia para a China em um contexto de disputa geopolítica mais ampla. Especialistas alertam que a crise pode afetar 20% da indústria de transformação no Brasil, impactando diretamente cerca de 130 mil empregos e mais de 1,3 milhão de empregos indiretos.
De acordo com Uallace Moreira, secretário de desenvolvimento industrial do MDIC, o governo já acionou o embaixador chinês no Brasil para negociar a liberação da exportação de semicondutores. O compromisso é de que o Brasil adquira os chips para atender ao mercado interno, sem interesse na exportação.
O cenário atual reforça a importância da cadeia automotiva na economia brasileira e evidencia a vulnerabilidade diante de ações de rua e disputas internacionais. A rápida resolução do embargo é vista como fundamental para evitar prejuízos econômicos e sociais de grande escala.