Durante o painel “Matriz múltipla: o sincretismo energético do transporte e do agro” realizado no Automotive Business Experience (#ABX25), especialistas reforçaram que o diesel continuará sendo a principal fonte de energia nas aplicações comerciais brasileiras por pelo menos dez anos, apesar das projeções de avanço das fontes alternativas.
A previsão é de que o biometano e o etanol comecem a dividir espaço no mercado de transporte mais rapidamente do que se esperava, especialmente na América Latina, onde a infraestrutura de abastecimento ainda é precária. A fala de Amauri Parizoto, diretor comercial da FPT Industrial para a América Latina, destaca que “entre o gás e o elétrico, o gás virá primeiro”, mantendo o diesel na força por um longo período, devido às dificuldades de implantação das novas tecnologias.
Na análise de Parizoto, “o diesel ainda liderará por mais uma década”, justificando-se também pelos custos elevados de veículos elétricos, que são atualmente até 2,5 vezes maiores do que os a gás. Ainda assim, ele aponta que a expansão do biometano e a criação de corredores verdes são ações que favorecerão a transição, sobretudo na região da América Latina, onde o avanço na eletrificação é mais lento do que na Europa.
O executivo da Cummins, Mauricio Biadola, compartilha da visão de que setores como o agro podem se beneficiar do uso do biometano inicialmente, promovendo a venda de caminhões pesados e médios, bem como a conversão de veículos tradicionais a diesel para gás, fortalecendo nichos de mercado que está se formando.
Projetos em regiões como Presidente Prudente (SP) já estão conectando fabricantes de biometano aos postos de combustíveis, criando assim corredores de abastecimento mais sustentáveis e favorecendo novas formas de combinação de combustíveis.
Além disso, a inovação tecnológica está explorando alternativas híbridas, com motores que utilizam diesel e etanol simultaneamente, articulando uma redução significativa na pegada de carbono. Modelos urbanos, como vans e pequenos caminhões, já estão na fase final de desenvolvimento com essa tecnologia.
Por fim, a legislação e o papel do poder público são considerados essenciais para impulsionar essa transição, sobretudo com o incentivo à infraestrutura e o apoio em regulamentações. Segundo especialistas, o avanço dependerá de uma parceria entre governos, indústria e universidades, com foco na redução de emissões e na segurança ambiental.
Enquanto o mundo discute o programa Euro 7 e novas regras de controle de poluentes no Brasil, a aposta é de que a mudança completa na matriz energética do transporte levará ainda de cinco a sete anos, mas o caminho já está sendo trilhado na direção de um setor mais sustentável e diversificado.