Há muito o Design faz parte fundamental na criação de qualquer veículo, mas nem sempre foi assim. Antes da 1ª guerra mundial, não havia preocupação alguma com aerodinâmica ou com segurança, aspectos que, junto da arte de criação do estilo, definiriam as formas dos carros a partir de certo momento.
Esses eram em si uma grande novidade, enquanto a maior preocupação era técnica, no sentido de prover aos clientes com um meio de transporte eficiente e confiável.
Como designer automotivo, além dos mais de 30 anos atuando profissionalmente dentro desta área, também cresci com um olhar muito crítico e observador com relação ao tema. Sempre muito curioso, aprendi bem como funciona o processo de criação, como tudo se desenvolve e se soluciona.
Com uma história riquíssima e vasta, vou contá-la de forma didática, desde o conceito inicial aos dias de hoje, bem como uma avaliação do que vem por aí.
O início do design automotivo
Ao longo da história, designers de automóveis e futuristas visuais foram profundamente influenciados por avanços tecnológicos e científicos, desdobramentos políticos, movimentos artísticos, tendências culturais e filosofias, sejam otimistas ou pessimistas.
As primeiras idéias do "auto-móvel” como veículo autopropulsado surgiu da cabeça de ninguém menos que Leonardo da Vinci, ainda no século XV. Sua proposta funcionava como um relógio a corda, este mesmo ainda não inventado.
Nem de longe lembrava sequer uma carruagem, mas uma carroça sem cavalos - seu gênio inventivo já dava uma direção e aguçava a curiosidade de outros para criar veículos sem tração animal. Mas foi somente em meados do século 18, que o francês Nicolas-Joseph Cugnot criou a primeira carruagem movida a vapor.
Neste início da motorização, o carro a vapor era nada mais que uma grande e pesada carruagem sem cavalos que carregava na sua frente uma enorme fornalha, o que por si só já dava uma aparência bem diferenciada e pouco prática. Não havia pneus e as rodas eram as mesmas das diligências, com seus aros de madeira e ferro, presos em braços também de madeira. Não havia, portanto, uma preocupação estética, e sim fazer com que funcionasse tecnicamente.
As mudanças do carro com motor a explosão
Em meados do século 19, dois alemães, Karl Benz e Gottlieb Daimler, criaram o que é considerado o primeiro automóvel com motor a explosão. Ainda que primitivo, estes veículos a explosão tinham uma aparência mais agradável e eram bem menores que seus parentes a vapor. Mas ainda a forma seguia a função.
Puramente utilitário, era como uma charrete com rodas enormes e bem finas, como das primeiras bicicletas, muito provavelmente para dar um rodar um pouco mais confortável nas precárias ruas da época. O propósito ainda era de apenas fazê-los funcionar e criar um meio de transporte independente da tração animal.
Nos primórdios da indústria automotiva, a linha entre arte e design não era definida. Os primeiros veículos eram um passo à frente das carruagens puxadas por cavalos, e as considerações de design eram responsabilidade dos construtores de carruagens.
Nasce o automóvel de quatro rodas
Começamos então a observar que, desde o início do transporte moderno, como eu chamaria o período a partir de meados do século 19, a disponibilidade de tecnologia impactava na aparência dos veículos automotores. Durante muito tempo as necessidades técnicas afetaram de forma quase impositiva, funcional apenas, a aparência final do veículo.
Mas este mesmo modelo de Karl Benz e Gottlieb Daimler contou com evoluções que, de certa forma, iniciaram um processo primário de "embelezamento” do produto.