Software assume protagonismo na indústria automotiva
A transformação digital está redefinindo as estratégias das fabricantes de veículos no Brasil e no mundo. A valorização do software como diferencial competitivo impulsiona uma revolução na forma como automóveis são concebidos, equipados e precificados. Segundo Oswaldo Ramos, COO da Baic no Brasil, a eletrificação e a digitalização reduziram o peso da engenharia mecânica, trazendo novos desafios às montadoras tradicionais.
Por décadas, motores e transmissões ditavam a inovação no setor automotivo. No entanto, veículos eletrificados e a integração de sistemas digitais inverteram esse paradigma. Hoje, as baterias e o software se tornaram centrais no desenvolvimento de automóveis, especialmente entre marcas de origem tecnológica, como as chinesas.
Para Ramos, a arquitetura baseada em software permite às empresas maior flexibilidade na oferta de recursos. Diferentemente das tradicionais, que costumam limitar itens tecnológicos às versões mais caras, montadoras como a Baic distribuem as funcionalidades ao longo de toda a linha, diluindo o investimento em tecnologia e tornando a proposta mais competitiva.
Esse modelo, impulsionado pela facilidade de atualizar veículos via software e pela padronização de plataformas eletrônicas, desafia fábricas que mantêm estruturas focadas em diferenciais mecânicos. Empresas que apenas replicam produtos estrangeiros ou terceirizam tecnologia não conseguem alcançar a mesma eficiência e percepção de valor, alerta o executivo.
Na distribuição, a mudança também é sentida. Concessionárias tradicionais do Espírito Santo e de todo o Brasil passaram a enxergar as marcas chinesas como oportunidades para diversificar e assegurar rentabilidade, especialmente em um cenário onde a multimarcalidade é cada vez mais aceita. Isso implica em uma nova dinâmica nas relações entre fabricantes e distribuidores, exigindo flexibilidade e visão de futuro para se manter competitivo.
Segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e entrevistas do setor, marcas como a Baic aceleram sua expansão apoiadas nesse novo modelo de negócio, com dezenas de pontos de venda em implantação e forte interesse de grupos concessionários. A continuidade dessa transformação dependerá, cada vez mais, da adaptação dos agentes tradicionais e do papel estratégico das redes de distribuição.