A China domina um terceiro do mercado global de veículos elétricos, e o Brasil, aberto a novas oportunidades, se torna alvo de montadoras como a BAIC. A estratégia de evitar kits CKD e SKD busca manter competitividade na importação, enquanto o país se prepara para uma produção local mais robusta.
De acordo com Oswaldo Ramos, COO da BAIC, o local para a fábrica já foi decidido, e a implantação deve envolver um parceiro com estrutura pronta, além de recursos da matriz na China. A escolha por importação peça a peça visa economia de impostos e maior controle de qualidade no início da operação.
Esse movimento reflete uma tendência do mercado, que busca acelerar sua transição para veículos elétricos. Especialistas apontam que o atraso das montadoras tradicionais na adoção de tecnologias modernas abre espaço para marcas chinesas, como a BAIC, que aposta na inovação e na política de expansão de rede de concessionárias com 200 pontos de venda planejados.
Na fase inicial, a montagem na fábrica do Ceará, controlada pela Comexport, continuará, mas a expectativa é que a operação venha a incorporar componentes mais locais e uma linha de produção definitiva. A parceria com a Foton para logística e distribuição também demonstra o esforço para otimizar custos e ampliar a capilaridade da marca.
O mercado espera que, até 2030, veículos chineses respondam por mais de 50% do mercado brasileiro de zero quilômetro, influenciados pela lentidão na modernização das montadoras tradicionais e pela competitividade facilitada pelas novas estratégias de importação e produção dos chineses.